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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Dilma, a nossa dama de ferro

Do Vi o Mundo


 No 1º turno, Dilma vence com mais de 46% dos votos


As 10 chaves da eleição no Brasil

Dilma obteve aproximadamente o mesmo percentual de votos que Lula no primeiro turno das eleições presidenciais de 2002 (46%) e 2006 (47%): quase 47% (46,9%). Em fevereiro deste ano, quando Lula pediu sua proclamação como candidata ao Quarto Congresso do PT, sua intenção de voto era menor que a de Serra e era pouco conhecida pela população. Por isso seu resultado de ontem, é interessante: obteve 47 milhões de votos. Lula seguirá sendo chave na construção da vitória. Não só fará campanha como se ocupará ainda mais do desenho fino da campanha no segundo turno. O artigo é de Martín Granovsky, do Página/12.

 Martín Granovsky – Página/12, na Carta Maior

A maioria das pesquisas dava vitória em primeiro turno para Dilma Rousseff, a candidata do Partido dos Trabalhadores e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não aconteceu. Também essa a era a percepção da maioria dos dirigentes do PT e dos membros do governo, que agora deverão redefinir a estratégia para o segundo turno, no dia 31 de outubro. Outra surpresa foi a votação obtida pela candidata do Partido Verde e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que fez quase 20% dos votos. No entanto, o PT e seus aliados não enfrentam um quadro desesperador. Isso pode ser mostrado por meio dos dez seguintes elementos de análise eleitoral:

1. O Partido dos Trabalhadores conseguiu uma base territorial da qual carecia. A partir de 1° de janeiro de 2011, haverá governadores do PT em Sergipe, Bahia, Rio Grande do Sul e Acre, além do Distrito Federal, Brasília, onde tem altas possibilidades de vencer no segundo turno. Os aliados do PT ganharam, entre outros, os governos do Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Piauí, Mato Grosso, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Rio e Pernambuco (onde nasceu Lula) estão entre os principais Estados do país em população.

2. Em função dessas vitórias, o PT e seus aliados, principalmente o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), terão maioria no Senado. Só o PT, passou de 8 para 16 senadores. A coalizão oficial ampliou o número de sua bancada na Câmara de Deputados, ainda que os cálculos mais finos devam ser feitos após a divulgação dos resultados finais e da recontagem Estado por Estado.

3. O Partido dos Trabalhadores melhorou seus números no Estado de São Paulo, mas não triunfou. José Serra, do PSDB, de centrodireita, ganhou de Dilma em São Paulo por 41 a 37. É um pobre desempenho de Serra que no último debate jactou-se de sua maior experiência em gestão e recordou que foi prefeito da capital do Estado e governador paulista, cargo que deixou este ano para candidatar-se à presidência da República. Nas eleições para governador, por volta da meia noite de ontem, o petista Aloizio Mercadante esteve a ponto de obter o sucesso histórico de passar para o segundo turno, coisa que nunca havia ocorrido. Mas Geraldo Alckmin, candidato de Serra, superou por décimos a casa dos 50%. Serra foi derrotado por Lula nos dois turnos da eleição presidencial de 2002. E Alckmin ocupou o posto de perdedor nos dois turnos de 2006.

4. O PT ganhou o governo em outro Estado importante, o Rio Grande do Sul, com um de seus principais dirigentes nacionais, o ex-ministro Tarso Genro, que terminou com uma impressionante diferença de 30 pontos sobre o segundo colocado (um dirigente do PMDB) e de 36 pontos sobre o terceiro, do PSDB. No RS, Dilma também ganhou de Serra, mas só por seis pontos. Transferir parte dos votos de Tarso Genro para Dilma é um dos desafios nacionais para o segundo turno.

5. O Rio de Janeiro, por sua vez, coloca um problema sério para o PT. Dilma ganhou a eleição no RJ com 43,76%, mas Marina Silva obteve nada menos que 31,52%. Um aliado petista, Sergio Cabral, ganhou no primeiro turno com 66% dos cotos. Também aqui deveria ter funcionado a transferência de votos, que, como em qualquer país do mundo, não é um fenômeno simples ou automático.

6. Minas Gerais segue sendo, dos grandes Estados, o mais resistente ao PT em termos locais, porque ali venceu o PSDB de Serra no primeiro turno. No entanto, Dilma também ganhou ali por uma diferença importante: 47 contra 31 de Serra. Marina Silva fez uma grande votação, chegando a 21,26%.

7. Dilma obteve aproximadamente o mesmo percentual de votos que Lula no primeiro turno das eleições presidenciais de 2002 (46%) e 2006 (47%): quase 47% (46,9%). É verdade que, em boa medida, os votos se devem ao crescimento econômico, à importância internacional do Brasil, à justiça social e ao próprio Lula. Mas Dilma não tem o carisma nem a popularidade de Lula. Em fevereiro deste ano, quando Lula pediu sua proclamação como candidata ao Quarto Congresso do PT, sua intenção de voto era menor que a de Serra e era pouco conhecida pela população. Por isso seu resultado de ontem, é interessante: obteve 47 milhões de votos em eleições livres.

8. Marina Silva fez uma grande eleição, com 19,4% dos votos, e provocou um baque. Nenhuma pesquisa previu esse resultado. É possível que a ex-ministra de Lula deixe seus eleitores livres para votar, com o que uma parte poderia votar em branco (e favorecer, de fato, a Dilma, porque quem está na frente se beneficia do voto em branco ao aumentar o índice dos votos válidos) e outra dividir-se entre Dilma e Serra. Em nenhum lugar do mundo 20 milhões de votos do primeiro turno se movem em bloco no segundo. Se Marina concentrou o voto descontente com o PT, mas que não queria votar em Serra ou em candidatos ainda mais conservadores, se verá no segundo turno quanto há de descontentamento entusiasmado e quanto de temor de regresso de um presidente ligado, como Serra, à estagnação de Fernando Henrique Cardoso.

9. O PSDB retrocedeu notavelmente em governos e também no Senado. Também foi importante o retrocesso de vários dos antigos coronéis (chefes territoriais) que foram derrotados no Nordeste.
10. Lula seguirá sendo chave na construção da vitória. Não só fará campanha como, segundo anunciaram ontem à noite dirigentes do PT, se ocupará ainda mais do desenho fino dos dias que faltam até o segundo turno. Ele tem, pelo menos, cinco desafios: seduzir eleitores de Marina Silva, melhorar os índices do PT no Rio e em São Paulo, reduzir a abstenção no Nordeste (que chegou a cerca de 20%), convencer militantes e eleitores que não ter vencido no primeiro turno está longe de ser uma derrota, porque obviamente foi uma vitória, e reforçar a percepção de que o que foi alcançado socialmente nos últimos oito anos pode ser perdido em um único dia.

Tradução: Katarina Peixoto

Ricardo Coutinho, a esperança de "ssóis" para os paraibanos

Pesquisas apontavam que Zé Maranhão poderia ganhar no primeiro turno
Do R7
Praticamente empatados, Zé Maranhão (PMDB) e Ricardo Coutinho (PSB) vão disputar o governo da Paraíba no segundo turno, que será realizado no dia 31 de outubro. Coutinho recebeu 49,74% dos votos, enquanto Maranhão ficou com 49,30%.

A disputa foi acirrada, mas pesquisas apontavam a liderança de Maranhão. Em levantamento do Ibope divulgado neste sábado (2), o candidato do PMDB aparecia em primeiro lugar com 47% dos votos. Coutinho ficaria com 42% dos votos, segundo a sondagem. Entretanto, em certo momento da apuração dos votos, o candidato do PSB ficou com 50,01% dos votos, número que lhe renderia a vitória do governo no primeiro turno.
Na reta final de campanha, Coutinho entrou com diversas ações pedindo a impugnação da candidatura de Maranhão. As duas últimas, protocoladas na semana passada, acusam o governador de uso da máquina pública para ajudar sua campanha.
Maranhão tentou reverter a situação e disse que tomou precauções para evitar qualquer surpresa na reta final da campanha. Pouco antes das eleições, ele ainda afirmou que é "direito da oposição fazer esse estardalhaço, já que eles estão necessitando”.

Maranhão foi eleito deputado federal pela primeira vez nas eleições de 1982. Quatro anos depois, reelegeu-se deputado constituinte. Em 1990, ele cumpre seu terceiro mandato para só em 1994 ser eleito vice-governador na chapa de Antônio Mariz, que morreu nove meses depois.

Em 1998 é reeleito e, em 2002, chega ao Senado. Nas últimas eleições, disputou e perdeu o governo da Paraíba. Mas, como o então governador Cássio Cunha Lima (PSDB) acabou cassado em 2009, ele assumiu o cargo.

Já Coutinho renunciou à prefeitura de João Pessoa para concorrer ao governo da Paraíba em março de 2010. Em 2004, ele foi eleito prefeito da capital paraibana pelo PSB e, em 2008, foi reeleito. Anteriormente, Coutinho já foi vereador (1993-1999) de João Pessoa e deputado estadual (1999-2004).

Eduardo Campos, absoluto em Pernambuco, nosso estado-irmão

04/10/2010 | 11h51
O melhor governador do Brasil agora é também o mais votado. Eduardo Campos (PSB) recebeu 82, 84% dos votos válidos em Pernambuco, contra apenas 14,06% do segundo colocado, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), deixando uma diferença de mais de 68 pontos percentuais. O presidente nacional do PSB recebeu mais de 3,45 milhões de votos contra menos de 586 mil votos do seu adversário.
Em segundo lugar no ranking dos governadores mais votados de todo o País, aparece o também socialista Renato Casagrande (ES) que venceu a disputa contra Luiz Paulo (PSDB) recebendo 82,3% dos votos válidos capixabas.
Coletiva de imprensa
Em entrevista coletiva realizada em um hotel no bairro de Boa Viagem e concedida após a constatação da sua vitória, Eduardo atribuiu sua reeleição incontestável ao êxito de sua gestão. “Essa vitória decorre do trabalho a que nos dedicamos nesses três anos e nove meses. Trabalhamos sempre com ânimo e vencemos obstáculos que aos desanimados seriam intransponíveis. A nossa votação foi resultado do nosso governo”, disse Eduardo, que foi eleito pelo instituto Datafolha como o melhor governador do Brasil.
Para Eduardo, o resultado não foi uma surpresa: “Sabíamos que a vitória poderia ser deste tamanho porque esse foi o tamanho do apoio que nós recebemos durante a campanha. As pessoas perceberam as mudanças em suas vidas por meio de um Governo que priorizou os mais pobres”, afirmou.
Questionado se essa expressiva vitória ficaria marcada como uma revanche contra as forças que derrotaram seu avô, Miguel Arraes, nas eleições de 1998, Eduardo disse que, ao contrário, seus sentimentos são de “responsabilidade e gratidão” ao povo de Pernambuco. “Nunca aprendi com o Dr. Arraes a ter ódio. Nós tivemos maturidade quando vencemos em 2006 e aprendemos a ter largueza. Nessa vitória quero perdoar todas as agressões que recebi durante o meu mandato e a minha vida pública. Isso tudo ficou para trás”, disse o socialista.
Eduardo falou ainda sobre o avanço de sua base – que elegeu a grande maioria de deputados estaduais e federais de Pernambuco. Disse não ser culpado pelos magros resultados obtidos pela oposição em Pernambuco “Essa foi a vontade popular e precisa ser respeitada. Quem disputa mandatos precisa aprender a ouvir o povo.”
É chapa fechada
A vitória de Eduardo não foi isolada. Os dois senadores da Frente Popular, Armando Monteiro (PTB) e Humberto Costa (PT) também foram eleitos com votações praticamente idênticas. “Esses candidatos têm história e serviços prestados a Pernambuco. Armando ajudou a construir a nossa oposição no Estado. Humberto foi companheiro do meu avô e disputou eleição para o Senado em 1998. Agradeço aos pernambucanos por mais essa oportunidade de governar, e desta vez com o apoio de dois senadores que vão me ajudar a fazer um futuro daqui para melhor.”
Festa no Marco Zero
Após a entrevista coletiva, Eduardo, Armando e Humberto seguiram para o Marco Zero, no Bairro do Recife, onde discursaram para mais de duas mil pessoas. Todos eles destacaram que a eleição não acabou e que é preciso redobrar as energias para eleger Dilma Rousseff (PT) no segundo turno.
Pelo tradicional reduto de comemoração da esquerda pernambucana também passaram o prefeito do Recife, João da Costa (PT), Ana Arraes (PSB), deputada federal mais votado do Estado, João Paulo (PT) também eleito federal, e o deputado estadual campeão de votos, o presidente da Assembleia Legislativa Guilherme Uchôa (PTB).

Extraído do Eduardo Campos 40

Lindberg Farias, o quarto senador paraibano

Do Soltando o verbo, um corajoso portal de notícias de Cabedelo

Trajetória política do paraibano teve início no movimento estudantil
O Senado Federal será ocupado por outro paraibano a partir do próximo ano. O petista Lindberg Farias foi eleito senador pelo Rio de Janeiro com 4.213.749 votos, o equivalente a 28,65% dos votos válidos. Antes mesmo do final da apuração, Lindberg Farias já se mostrava otimista quanto ao resultado obtido nas urnas. “Vamos passar de 4 milhões de votos”, postou ele na rede social Twitter.
A campanha de Lindberg, que é natural de João Pessoa, é casado e tem dois filhos, teve como principal proposta a defesa da educação como prioridade de investimento. O ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) afirmou que retende melhorar os baixos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no Rio. “Vou honrar esse mandato de Senador pelo Rio de Janeiro”, disse.
Aos 41 anos, a trajetória política do paraibano teve início no movimento estudantil, quando ele foi presidente da UNE. Nessa fase, ele liderou a campanhados caras-pintadas, em 1992, que levou ao impeachment do então presidente da República Fernando Collor de Mello, que, aliás, será companheiro de Farias em Brasília. Radicado no estado do Rio de Janeiro, elegeu-se deputado federal pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em 1994, sendo o mais votado da esquerda. Na Câmara, pautou seu primeiro mandato pela oposição ao governo de Fernando Henrique Cardoso. O último cargo ocupado foi o de prefeito de Nova Iguaçu (RJ).

Reguffe, campeão de votos

Reguffe, o federal proporcionalmente mais votado, defende reforma política.

 Aos 38 anos, quatro disputas eleitorais no currículo — duas delas vitoriosas —, José Antônio Reguffe (PDT) conseguiu o que parecia improvável aos olhos de uma cidade recém-abalada pelo maior escândalo político de sua história: foi eleito o deputado federal proporcionalmente mais bem votado do país carregando a bandeira da ética e da moralidade na política. Reguffe recebeu o Correio em sua casa, no Lago Sul, no fim da tarde de ontem, quando falou sobre sua eleição, os projetos para os próximos quatro anos e sobre o que espera das eleições para o GDF.

A vitória por 266.465 votos, 18,95% do total, teve um impacto avassalador sobre o jornalista e economista. Passadas quase 20 horas do anúncio do resultado, Reguffe estava visivelmente comovido. “Quando tinha 90% das urnas apuradas, comecei a chorar e chorei por quase uma hora e meia. Não tenho palavras para descrever o que senti e o que estou sentindo”, disse.

Até colher a maior conquista de sua carreira política, ele foi derrotado duas vezes nas urnas. A primeira em 1998 e a outra em 2002. No primeiro mandato, conquistado em 2006, adotou uma postura de independência. O fato de se apresentar como oposição não o impediu de votar com o governo em projetos que considerava bons para a população nem que fosse voz solitária na defesa de propostas em que acreditava.

Em quatro anos, aprovou seis projetos de lei de sua autoria. Entre eles, o que torna obrigatória a instalação de estacionamento de bicicletas em locais com grande fluxo de público e o que incentiva a redução do consumo de água por meio de um bônus-desconto de 20% sobre a economia, creditado diretamente na conta de água. Como deputado federal, sua prioridade será promover uma ampla reforma política.

“Reconheceram o mandato que fiz”

"Tanto na eleição para presidente como para governador, considerei os debates extremamente frágeis em termos de propostas"

Como é saber que o senhor foi, proporcionalmente, o deputado federal mais bem votado do país?
Para mim, foi uma emoção muito grande. Penso que foi um reconhecimento da população do Distrito Federal ao mandato que fiz e à luta que tive. Podem criticar o meu mandato por qualquer coisa, mas não podem dizer que eu não tenho cumprido os meus compromissos de campanha. Fiz nele exatamente o que me propus a fazer e isso me orgulha muito. Eu, quando soube, acompanhando a apuração, comecei a chorar e fiquei chorando sem parar por pelo menos uma hora e meia. É uma sensação indescritível, não tenho palavras para descrever o que senti.

O senhor foi eleito com o discurso da ética e da moralidade pública. Há entre seus eleitores quem esperava uma atuação mais combativa. O que essas pessoas podem esperar da sua atuação nos próximos quatro anos?
Essa é uma crítica que não procede. Enfrentei os deputados distritais desde o início em vários temas. No projeto de redução da verba de gabinete, cheguei a votar sozinho. Tive vários embates no plenário sendo minoria em praticamente todos os temas e, em alguns deles, estive sozinho. Se alguém pensa isso (que não fui combativo), deveria assistir à TV Câmara e ver o que foram esses embates.

O fim do voto obrigatório é uma das suas propostas de campanha. De que forma o senhor acha que o voto facultativo vai refletir no processo democrático?
Hoje, muitas pessoas votam sem fazer a reflexão devida que esse gesto merece. O voto obrigatório faz com que o poder econômico deite, role e exerça uma enorme influência sobre a decisão do eleitor. Contrata-se gente à beça e essas pessoas não se sentem compradas, sentem-se trabalhando. Hoje, quando as pessoas votam sem querer, o resultado é o Tiririca. Com o voto facultativo, acredito que não teríamos o Tiririca. Esse é apenas um dos pontos de uma ampla reforma política que defendo.

Quais são os outros pontos dessa reforma?
Proponho o fim da reeleição para cargos do Executivo e apenas uma reeleição para cargos legislativos, a proibição de doações privadas e a instituição do financiamento público de campanhas — não nos moldes do que tramita no Congresso Nacional, porque, se der dinheiro na mão de político, vai ficar pior do que está. Vai ter gente se candidatando só para ganhar dinheiro. Proponho que os tribunais regionais eleitorais e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) façam licitação de gráfica e produtora para panfletos e programas de TV com o mesmo padrão. A pessoa vai ter que ganhar no conteúdo, no gogó.

A eleição para o senhor acabou no último domingo, mas a disputa ao GDF continua indefinida. Qual leitura o senhor faz desse momento político?
Considero lamentável que o nosso sistema jurídico gere a insegurança toda que houve no primeiro turno e permita essas mudanças todas que tiveram. Acho que a Justiça fez com que a nossa eleição fosse um tanto quanto conturbada, bagunçando a cabeça de muitos eleitores. E é claro que espero que Brasília faça a opção por um novo caminho e vote em Agnelo Queiroz.

Nessa nova fase da campanha para o GDF, como o senhor acha que deve ser a estratégia de campanha na reta final de disputa?
Tanto na eleição para presidente como para governador, considerei os debates extremamente frágeis em termos de propostas. Política, para mim, tem que ser propositiva. Quero ver um debate que discuta um projeto de cidade e de país para o futuro.

Entre os eleitos para a Câmara Legislativa, 13 não fizeram parte da última legislatura e oito reconquistaram suas cadeiras, apesar de terem sido citados no inquérito da Operação Caixa de Pandora. Qual leitura o senhor faz desse quadro?
Tenho que respeitar a vontade da população, mesmo quando essa não é a minha.


O número
39,85%
Maior percentual de votos obtidos por Reguffe em uma única zona, a da Asa Sul

Do Correio Braziliense

domingo, 3 de outubro de 2010

Quem paga o jatinho de U$ 50 Milhões da Marina ?

Na foto, as modestas instalações do jatinho da candidata pobrinha

O Conversa Afiada reproduz post do site Sejaditaverdade.

O que o amigo navegante acha mais apropriado para referir-se à Bláblárina:

- Traíra

- Eco-capitalista

- A candidata de duas caras

- Voz de despertador de segunda feira (segundo o Zé Simão)

- Serra do B

Isso dá uma enquete …

Escândalo: Marina faz a campanha presidencial mais cara!



Como os auditores, policiais ou contadores sabem quando alguém lava dinheiro? Fácil, a pessoa começa a ter um padrão de vida bem superior aos seus rendimentos. Em outras palavras, o suspeito tem um carro que está muito além do seu salário, vive em uma casa com tamanho luxo e não há o que explique a origem dos recursos para a compra da tal casa.


Na campanha presidencial deste ano, uma candidata desponta como aquela que leva um padrão bem acima daquilo que é declarado: é a verde Marina Silva.


Em setembro deste ano, as doações da campanha da candidata superavam a marca de 13 milhões de reais, tornando a campanha de Marina mais cara que a de Lula em 2006.


Ainda sim, Marina e Guilherme Leal, seu vice bilionário e cuja empresa é acusada de biopirataria e tem mais de R$ 1,5 bilhão em multas da Receita Federal, afirmam fazer uma campanha modesta frente aos candidatos José Serra e Dilma Rousseff.


Aos moldes da campanha vitoriosa de Barack Obama nos Estados Unidos, Marina foi a primeira a pedir doações na internet. O objetivo, segundo a candidata, era garantir que as doações fossem transparentes (aqui). As doações são pífias, não tendo passado de pouco mais de R$ 160 mil até a semana passada.


Não foi o que aconteceu. No começo do pleito, Marina viajava o país todo dentro de um jatinho Legacy, propriedade da Natura, empresa do vice do PV.


Há alguns dias, em imagem exibida no Jornal Nacional, percebe-se que o avião agora é outro: um luxuoso e exclusivo jato Falcon 2000 Easy, no valor de mais de 50 milhões de dólares.  Veja a prova irrefutável:



Veja o avião por dentro



Os custos deste avião são tão caros que havia apenas dois modelos no Brasil. Agora temos um terceiro, o de Marina. Na imagem do Jornal Nacional, podemos observar no canto esquerdo da tela a logomarca da Colt Aviation, conhecida por administrar e alugar jatos de potentados, banqueiros e grandes empresas nacionais e internacionais, além dos altos valores que cobra por seus serviços.


Agora , nesta reta final de campanha, surgem dúvidas pertinentes aos eleitores:


Por que Marina trocou de avião?


Por que Dilma voa em um Citation e Serra em um Learjet, aviões bastante inferiores aos da falsa humilde ex-Marina, e ela gasta milhões em seu raid aéreo por todo o Brasil?


Por que a candidata do PV prega vida simples e sustentável aos outros, mas para si ostenta o luxo e polui o meio-ambiente voando numa máquina de US$ 50 milhões?


E a pergunta mais importante de todas: QUEM PAGA POR ESTE AVIÃO E QUE INTERESSES TÊM NISSO?


Marina Silva tem que vir a público para explicar estas questões. A sua máscara de boazinha já caiu faz tempo. Caiu com um super jato, com comissária de bordo, navegação e telefonia por satélite, interior luxuosíssimo, cama de casal, bar, escritório e um custo aproximado de US$ 10 mil por hora de vôo?


Barack Obama voou em sua campanha num jato Legacy, da JetBlue Airlines, fabricado no Brasil. Marina silva voa num avião que custo o dobro. Chique, não?


Sejaditaverdade


Conheça os detalhes do escândalo que envolve Marina Silva e a utilização de jato de US$ 50 milhões em sua campanha. http://migre.me/1sfWC


sábado, 2 de outubro de 2010

13 motivos para votar em Dilma

O Biscoito Fino e a Massa
Idelber Avelar


1. Dilma é a continuação do governo Lula. Esta é a mãe de todas as razões. O governo Lula é aprovado por mais de 80% dos brasileiros e acumula, em todas áreas, uma coleção de números de fazer inveja a qualquer outro governo da nossa história republicana. A pobreza caiu pela metade. Mais de 30 milhões de brasileiros se juntaram à classe média. O salário mínimo subiu 74% sobre a inflação. Mais de 14 milhões de empregos foram criados. Dilma Rousseff foi parte deste governo desde o primeiro minuto e é a legítima herdeira desse legado (pdf).
2. Dilma continua a política de fortalecimento do patrimônio público. Uma das razões pelas quais o PSDB foge da figura de Fernando Henrique Cardoso como o diabo foge da cruz é a categórica opção, feita pela esmagadora maioria da sociedade brasileira, contra o privatismo, a desregulamentação e a venda do patrimônio público na bacia das almas. Somos um país de centro-esquerda, neste sentido. Nada foi privatizado no governo Lula e empresas como a Petrobras deram um salto gigantesco, de combalida candidata a ser “desmontada osso por osso” à condição de quarta maior empresa do mundo, responsável pela maior capitalização da história da humanidade. É Dilma, não nenhum outro candidato, quem representa a continuação desse fortalecimento.
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3. Com Dilma sabemos que nossos irmãos mais pobres continuarão a ter acesso ao Bolsa-Família. Mais de 12,6 milhões de famílias foram beneficiadas pelo maior programa de transferência de renda do mundo. Não somente nós, de esquerda e centro-esquerda, mas também economistas liberais e instituições como o Banco Mundial concordam que o Bolsa-Família é parte essencial da redução da desigualdade. O principal candidato da oposição, José Serra, não conseguiu unificar sequer sua campanha ao redor de uma posição sobre esse tema. Chegou-se, inclusive, à bizarra situação de que enquanto o candidato prometia dobrar o BF, seus correligionários e sua própria esposa davam declarações que associavam o programa à “vagabundagem”. Com Dilma não tem erro: continuaremos a reduzir a desigualdade no Brasil.
4. Dilma representa uma política externa altiva, soberana e baseada no diálogo. A política externa é um dos grandes êxitos do governo Lula. Passamos de uma situação subordinada, em que discutíamos a entrada numa órbita estritamente controlada pelos EUA, que trouxe consequências tão desastrosas para os nossos irmãos do México, à condição de país internacionalmente respeitado, ouvido nos fóruns mundiais e líder incontestável da América Latina. A campanha do principal candidato da oposição foi marcada por desastrosas declarações, cheias de insultos aos nossos vizinhos. Traduzidas em política externa, seria uma fórmula certa para que o Brasil perdesse o lugar que conquistou no mundo. A opção pelo diálogo, pelo respeito às instâncias multilaterais e pela autodeterminação dos povos foi um sucesso no governo Lula e está em sintonia com as melhores tradições do Itamaraty. É Dilma quem representa essa opção.
5. Dilma provou ser uma verdadeira democrata. Nenhuma candidata à Presidência no período pós-ditatorial—nem mesmo Lula—sofreu bombardeio midiático comparável ao que foi lançado sobre Dilma Rousseff nesta campanha. Acusações falsas sobre seu passado; grosseiras infâmias sexistas; falsas notícias; manipulação de declarações suas; mentiras sobre suas contas; fichas policiais adulteradas: tudo foi lançado contra ela. Em nenhum momento Dilma moveu um dedo para calar ou censurar qualquer jornalista. Por outro lado, José Serra, tratado de forma infinitamente mais dócil pela imprensa brasileira, demonstrou amplamente que não é confiável no quesito democracia. Exigiu cabeças de jornalistas nas redações; confiscou fitas de vídeo; deu-nos uma patética coleção de pitis. Mostrou que não convive bem com a crítica. É com Dilma, não com Serra, que garantiremos a continuação da nossa condição de um dos países com mais ampla liberdade de expressão do mundo.
6. Dilma dá show de conhecimento numa das áreas mais importantes da atualidade, a energia. Em 2003, quando Dilma assumiu o Ministério das Minas e Energia, o Brasil vivia uma situação periclitante. Acabávamos de viver um vergonhoso racionamento. Dilma arrumou a casa, garantiu a segurança no abastecimento e a estabilidade tarifária. Participou diretamente da implantação do Luz para Todos, cuja meta original era 2 milhões de ligações, mas que em abril de 2010 já havia realizado 2,34 milhões de ligações, beneficiando 11,5 milhões de pessoas. Nossa produção de petróleo passou a 2 milhões de barris por dia. O pré-sal, descoberta possibilitada pelo trabalho de Dilma, dobrou nossas reservas de petróleo. Além de tudo isso, Dilma já provou ser conhecedora profunda das fontes limpas e renováveis de energia. Faça uma enquete entre os engenheiros da Petrobras. As intenções de voto em Dilma, entre eles, deve andar em torno dos 90%. Eles sabem o que fazem.
7. Dilma é a mais equipada para expandir e melhorar a educação no Brasil. Neste quesito, a comparação entre o histórico petista e o histórico tucano é uma surra de proporções inomináveis. Enquanto em São Paulo, alunos e professores sofrem com a falta de investimento e, acima de tudo, com a falta de respeito, emblematizada nas frequentes pancadarias policiais a que são submetidos, o Brasil criou, durante o governo Lula, 16 novas universidades, mais de 100 novos campi, mais de 200 novas escolas técnicas, mais de 700.000 novas vagas para pobres, a maioria negros e mulatos, através do ProUni. Os professores da rede federal saíram da situação de arrocho salarial em que viviam e agora têm um plano de carreira digno (que ainda pode e deve melhorar, sem dúvida, mas que representou um salto gigantesco em relação ao governo FHC). Se você é aluno, professor ou funcionário do ensino, ou tem filhos na escola, basta olhar para o histórico dos dois principais candidatos e você não terá dúvidas sobre em quem votar.
8. Dilma não criminalizará os movimentos sociais. O histórico tucano na relação com os movimentos sociais é péssimo. Professores espancados no Rio Grande do Sul e em São Paulo; os ativistas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra tratados como criminosos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso; o funcionalismo público submetido a arrocho salarial e a uma total recusa ao diálogo em Minas Gerais. Sem misturar movimento social com governo, sem transigir na aplicação da lei, quando de aplicar a lei se tratava, Lula e Dilma estabeleceram com as manifestações políticas da sociedade brasileira uma relação de respeito e diálogo. É assim que deve ser. As declarações de José Serra sobre, por exemplo, o MST, são profundamente preocupantes. É com paz e negociação que se resolvem os embates entre movimentos sociais e governo, não com porrada. Dilma é a garantia de que essa política continuará sendo seguida.
9. Dilma representa um novo reencontro do Brasil com seu passado. Notável na sua capacidade de falar sobre um passado traumático, admirável na tranquilidade com que se refere às torturas a que foi submetida, Dilma teve o dom de não transformar o rancor e o ressentimento em arma política. O Brasil está anos-luz atrás dos seus vizinhos do Cone Sul naquele processo para o qual os alemães cunharam essa belíssima palavra, Vergangenheitsbewältigung, que poderíamos traduzir como o dom de acertar as contas com o passado. É Dilma quem nos pode guiar na revisão desse pretérito ainda tão recente e tão pouco saldado. Sem rancor, sem revanche, sem ódio, mas sem transigir na aplicação da lei.
10. Dilma tem com quem governar, tem equipe. Este blog respeita o voto verde e respeita Marina Silva. Mas a afirmativa, tantas vezes feita por Marina nesta campanha, de que governaria com “os melhores do PT e do PSDB”, como se não existisse um pequeno detalhe chamado política, só se explica pela ingenuidade ou pela manipulação da ingenuidade. Um político governa com a equipe política que conseguiu montar, e é a equipe de Dilma quem botou Brasília para funcionar de acordo com os interesses dos mais pobres durante os últimos oito anos. Com todos os seus problemas, é o PT, não o PV, quem tem quadros experimentados o suficiente para a gestão de um país complexo como o Brasil. Isso não é por acaso. Mais de 50% dos brasileiros que têm alguma opção partidária preferem o PT. Por volta de 30% da população escolhe o PT como o partido de sua preferência. PMDB e PSDB seguem de longe, muito longe, com 6%.
11. Dilma é mais internet para todo mundo. O principal candidato da oposição, José Serra, pertence a uma força política que já demonstrou não ter compromissos com a expansão da internet para as camadas mais pobres da população. Expressão privilegiada dos grandes conglomerados midiáticos do país, o tucanato é responsável por desastres como o AI-5 Digital, uma coleção de inomináveis asneiras destinadas a cercear, censurar e controlar a liberdade da internet. Sob o governo Lula, o acesso à rede mundial de computadores aumentou muito e é Dilma, não qualquer outro candidato, quem tem histórico e compromisso com a implementação do Plano Nacional de Banda Larga, uma verdadeira de carta de alforria informativa no país. Quanto mais gente tiver acesso à internet, mais democrática e bem informada será a nossa sociedade. Os pobres sabem disso e estão com ela, em sua esmagadora maioria.
12. Dilma tem uma bela, impecável história de vida. Representante da geração que correu risco de morte para lutar contra a ditadura com os recursos que tinha, Dilma jamais renegou seu passado. Com serenidade, ela sempre explica que o contexto mudou, que o mundo é outro, e que agora ela luta com outros instrumentos, dentro da normalidade democrática. Mas ela nunca fez as penitências meio patéticas, as autocríticas confortáveis a que nos acostumamos ao ouvir, por exemplo, Fernando Gabeira. Representante também da geração que acompanhou Leonel Brizola na recomposição do legado varguista na pós-ditadura, ela jamais renegou a herança do trabalhismo. Dilma Rousseff é a ponte entre o que de libertário e popular havia no trabalhismo brasileiro e o que de novo e transformador trouxe o Partido dos Trabalhadores. Sua presença já na administração Olívio Dutra em Porto Alegre mostrou que ela estava consciente de que essa ponte era possível. Muitos petistas—este atleticano blogueiro incluído—adotaram, especialmente nos anos 80, posturas sectárias e intolerantes ante o trabalhismo, incapazes que fomos de ver qualquer característica positiva no movimento que conferiu cidadania à classe trabalhadora pela primeira vez. Dilma é a possibilidade de aprofundamento desse diálogo entre o lulismo e tradição trabalhista que ele transforma. Essa bela história de vida está bem narrada em seu primeiro programa de TV: 
13. Dilma representará uma vitória inesquecível para as mulheres brasileiras. Ainda somos um país muito machista. A violência doméstica é uma realidade cotidiana para milhares, talvez milhões de mulheres, especiamente as mais pobres. As mulheres ainda recebem bem menos que os homens pelo mesmo trabalho. A maioria da população feminina ainda acumula uma dupla jornada de trabalho. Não só por ser mulher, mas também por pertencer a um projeto político que já demonstrou ser aliado das mulheres na luta, Dilma pode contribuir a mitigar essa situação e nos fazer avançar nessa área tão urgente. Não é desimportante, claro, o fato de que ela é mulher: da mesma forma como a vitória de Lula, por si só, representou imenso ganho para a autoestima dos trabalhadores, que agora sabiam que podiam chegar lá, da mesma forma como a vitória de Obama trouxe enorme esperança para muitos negros jovens, que agora tinham a prova de que alcançar o topo era possível, a vitória de Dilma representará um enorme salto para a autoestima, as possibilidades, as aspirações de milhões de mulheres e, especialmente, de crianças e adolescentes do sexo feminino.

É por tudo isso, e muito mais, que eu voto Dilma Rousseff.


Leia mais em: ¹³ O ESQUERDOPATA ¹³
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