Um "blog sujo" desde 2 de setembro de 2009.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Dilma ri da tragédia do Rio

 



Copiado do blog Escreva, Lola, Escreva

"O Jornal Nacional de sexta, dia 14 de janeiro, lá pelas 21 horas, cometeu uma manipulação grosseira. Eu não vi porque mal vejo TV, mas li reclamações aqui e ali (nenhum post em blog), e minha mãe veio me falar disso ontem. Parece que foi assim: o JN dedicou a maior parte de sua duração à tragédia causada pelas chuvas e aos delizamentos de terra no Rio. Foram longos minutos com muito choro, inclusive com muito sensasionalismo, com repórteres fazendo aquelas perguntas pertinentes de sempre: “Como você se sente ao ver sua família inteira morta?”. Um desespero só. Aí, no meio do nada, o JN corta pra falar de uma reunião ministerial de Dilma para aumentar o salário mínimo e para liberar dinheiro para as prefeituras atingidas pelas enchentes (veja aqui). No momento em que a narração em off da repórter começa a dizer “O problema com as enchentes ocupou boa parte da reunião ministerial”, a imagem que ocupa a tela passa a ser a presidenta gargalhando. Como se ela estivesse, obviamente, rindo da tragédia. Como se alguém pudesse rir de uma tragédia dessas.

"Pra quem acredita na velha ladainha da neutralidade dos telejornais, este exemplo (e é apenas um exemplo entre tantos outros) deveria servir pra mostrar que tudo é manipulação. A escolha dessa imagem, no meio de uma reportagem cheia de choro, contrasta com a cara de velório do apresentador e da repórter, e de tudo que veio antes e que virá a seguir no telejornal. E ela não está lá à toa. Ela quer passar uma mensagem: a de que Dilma é uma insensível, capaz de rir de 600 mortos. E também a de que um governo, de que o Estado, não faz nada além de rir da miséria alheia, enquanto a iniciativa privada é que realmente se preocupa com o povo, com suas campanhas de caridade à la Criança Esperança.

"Uma imagem dessas (risos no meio da tragédia) cairia mal a qualquer governante, até aos mais risonhos, como Lula. Mas em Dilma fica pior, e a Globo sabe disso. Quantas vezes, na campanha eleitoral, o JN selecionou alguma imagem de Dilma rindo? Vou chutar que nenhuma, porque uma Dilma gargalhante se chocaria contra o que a oposição dizia da candidata – que era durona, fria, mandona. Meio Greta Garbo, sabe? Greta, um dos ícones da história do cinema, nunca ria em seus filmes. E sua persona não era diferente: ela raramente aparecia sorrindo nas fotos. Daí que, pra divulgar a comédia Ninotchka, os produtores colocaram nos posters a chamada “Garbo laughs!” (Garbo ri!), como se fosse um fato inédito e de relevância mundial.

"É parecido com o que a Globo fez com a presidenta. Só faltou a legenda “Dilma laughs!”. Pois é, acabada a campanha, perdidas as eleições (para eles), a campanha continua. Ano passado tivemos o espetáculo das capas da Veja e sua atribuição relativa de culpa (a equação é simples; aprendam, crianças: enchente em SP é culpa da chuva, enchente no Rio é culpa do governo). Mal posso esperar algum desastre aéreo pra ver a risada da Dilma tomar novamente o Jornal Nacional."

 http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/01/dilma-e-ministros-definem-que-valor-do-salario-minimo-sera-de-r-545.html


Blog da Cidadania faz queixa ao diário espanhol ‘El País’

 http://www.blogcidadania.com.br/2011/01/blog-da-cidadania-faz-queixa-ao-diario-espanhol-%E2%80%98el-pais%E2%80%99/

Comunico que às 11 horas do dia 17 de janeiro de 2011 entrei em contato telefônico com a Redação do diário espanhol “El País”, em Madrid, Espanha. A ligação foi feita para o telefone (34) 91 337 82 00. Após informar o assunto, a chamada foi transferida para o senhor Juan Carlos Sans, “jefe de la sección de internacional”.

O jornalista pareceu surpreso e um tanto quanto preocupado, sobretudo ao ouvir o teor da queixa que fiz em nome dos leitores deste blog. Formal e cortês, ouviu atentamente a minha argumentação – feita em bom espanhol, posso garantir.

Disse a ele que dói a milhares de brasileiros leitores deste blog – e, por conta do sentimento da sociedade brasileira, a dezenas de milhões de seus compatriotas – a artimanha da Globo para começar a guerra que, a exemplo da que fez contra o presidente Lula, deve começar a travar contra a sua sucessora.

Expliquei o que é a Globo, do ponto de vista de milhões de brasileiros, e que é inaceitável a conclusão que tirou o correspondente do El País no Brasil, Juan Arias – sediado no Rio de Janeiro –, de matéria da emissora carioca sobre a primeira reunião da presidente Dilma Rousseff com seu ministério, na semana passada.

Como todos sabem, a Globo fez o que o jornalista Luis Nassif chamou de “pegadinha”, ao induzir o público a crer que a presidente da República e seus ministros debocharam da tragédia nas serras fluminenses, com suas centenas de mortos em meio à mais dolorosa devastação.

Adotando um tom menos “seco”, o senhor Sans se prontificou a me dar dados para contatos com o “director de El País”, senhor Javier Moreno, com o “corresponsal” Juan Arias e com a “Ombudswoman”, ou “defensora del lector”, senhora Milagros Perez Olivar.

Pretendo ir até o fim dessa história, cobrando do El País postura responsável e ética em relação a uma conclusão do “corresponsal” Juan Arias sobre mera insinuação que fez a Globo para desmoralizar o novo governo, pois sua “leitura” daquela matéria comprova o que tantos, aqui no Brasil, concluíram.

Convido, pois, o leitor a dizer o que julga importante relatar ou considerar às instâncias às quais este blog se dirigirá, lembrando que a serenidade e a cortesia produzem melhores chances de se estabelecer uma discussão séria, em vez de mero bate-boca, pois só queremos que o El País diga a verdade ao mundo.

O peixe que Luciano Huck vende

Chupado do Esquerdopata
A exploração da tragédia: o caso Huck
Por O Escritor

A marota forma de ajuda de Luciano Huck

Sinceramente, não sei o que pensar sobre isso. Peço ajuda.

Luciano Huck é sócio do Peixe Urbano, um site de compras coletivas. Em dezembro último, o apresentador da Globo usou o Twitter para tentar bater o recorde de vendas de cupons no site:
"O apresentador Luciano Huck – agora sócio do site de compras coletivas Peixe Urbano - usou pela primeira vez o Twitter para impulsionar a venda de cupons de desconto – e quase conseguiu o que queria: superar o recorde de vendas do site."
http://idgnow.uol.com.br/internet/2010/12/08/luciano-huck-ja-usa-o-twitter-para-vender-seu-peixe/
Ontem, ele postou esta mensagem no Twitter:
Luciano Huck
"Quer ajudar, e muito, as vítimas da serra carioca [sic]. Via @PeixeUrbano, vc compra um cupom e a doação esta feita. http://pes.ca/gZ2Ibb"
http://twitter.com/#!/huckluciano/status/26377814122962944
A compra dos cupons, segundo o site, reverterá em benefício de duas ONGs que estão ajudando as vítimas das enchentes. Parece bonito, mas não é.

Primeiro, é necessário ir ao site do negócio de Luciano.

Depois, é preciso se cadastrar no site. E então comprar um ou mais cupons de R$10,00.

Ganha Luciano porque divulga o seu negócio (mais de 7.000 RTs até agora), cadastra milhares de novos usuários em todo o Brasil, familiariza esses usuários com os procedimentos do site, incentiva o retorno e aumenta absurdamente o número de cupons vendidos – alavancando o Peixe Urbano comercial, financeira e mercadologicamente. Além do ganho de imagem por estar fazendo um serviço público (li vários elogios nos RTs).

Sabe-se lá como será contabilizado ou fiscalizado o total recebido como doação e repassado para as duas organizações parceiras. O usuário não tem nem terá acesso a esses dados internos.

Supondo que todo o montante arrecadado chegue às vítimas, se for mesmo o que estou entendendo, trata-se da mais sórdida exploração da desgraça alheia que já presenciei em toda a minha vida.

As pessoas que estão doando seu dinheiro, seus produtos, seu tempo, suas habilidades e sua atenção aos desabrigados e às vítimas não estão pedindo nada por isso, não estão ganhando nada com seu gesto de solidariedade, não estão usando essa tragédia para obter nenhuma forma de lucro pessoal. Fazem o bem porque são humanas, ficaram chocadas com as imagens e as informações, se sensibilizaram com o sofrimento alheio. Ajudam por solidariedade, empatia e até por desespero.

E a maioria delas não tem quase nada na vida, em comparação com o apresentador da Globo.

De todas as iniciativas já divulgadas até o momento, só a de Luciano Huck visa primeiramente ao lucro pessoal, para depois, secundariamente, resultar numa ajuda social.

Quando um tsunami matou 200 mil pessoas no sudeste da Ásia, em 2004, recebi um e-mail de um escritor inglês pouco conhecido, no qual se fazia a oferta: "Compre um dos meus livros, e eu doarei 30% do valor para as vítimas da tragédia". Saí da lista do explorador barato na hora, mas a favor dele contava o número reduzido de destinatários da mensagem.

Luciano Huck tem 2.600.000 seguidores no Twitter: é este o público-alvo do seu apelo interesseiro. Pode não bater o recorde de cupons, desta vez, mas temo que tenha batido o recorde da safadeza. Aceito argumentos que me provem o equívoco dessa suspeita.

Depois dos R$24 milhões entregues pelo Estado à Fundação Roberto Marinho, dinheiro originalmente destinado à contenção de encostas e às obras de drenagem, mais esta. Turma da Globo, vocês pensam que estão apenas lucrando com as águas, mas na verdade podem estar brincando com fogo.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

PM de SP desce o sarrafo em estudantes e trabalhadores

Era um protesto contra o aumento do preço das passagens de ônibus. Custa R$ 3,00 e é a mais cara do país...

Sem terem provocado, meia dúzia de estudantes tomam bala de borracha nas costas..

Queria ver a briosa Polícia Militar de SP ter o mesmo desprendimento para enfrentar o PCC..

Aí não.. aí PM se borra de medo dos bandidos de verdade: PCC e políticos tucanos..


Investigadores alarmados com declínio das abelhas

 

Quatro espécies de abelhas, anteriormente consideradas como abundantes, estão quase a desaparecer nos Estados Unidos. Estas abelhas, tão importantes para a agricultura, estão a ser afectadas a nível mundial.
O grupo de cientistas que está a estudar o caso referiu que há uma redução de 96% no número de abelhas nas quatros espécies. A presença de organismos patogénicos, como acontece nas abelhas do mel, e a endogamia causada pela perda do habitat, são as principais causas deste desaparecimento.

“Fornecemos provas irrefutáveis de que várias espécies do género Bombus sofreram acentuado declínio da população a nível nacional", afirmaram os pesquisadores na revista Proceedings, da Academia Nacional das Ciências, classificando os resultados como "alarmantes.”

Sydney Cameron, da Universidade do Illinois, liderou o estudo. “Estes são os polinizadores mais importantes das plantas nativas”, refere. Estas abelhas estão normalmente associadas aos prados e à vegetação existente em grandes altitudes. Também polinizam tomates, mirtilos e groselhas.

Recentemente, especialistas documentaram o Distúrbio do Colapso das Colónias, um fenómeno que leva ao desaparecimento das abelhas e que tem origem em vários factores como parasitas, fungos, stress, pesticidas e vírus. Mas a maioria dos estudos que investigaram este fenómeno focaram-se apenas nas abelhas do mel.
Contudo, as abelhas para além de produzirem mel são também importantes polinizadores. “ [As abelhas] aterram nas flores e apresentam um comportamento chamado polinização por vibração que permite que o pólen voe para fora da flor”, sublinha Cameron.

Cameron e a sua equipa realizaram um estudo de três anos, a 382 locais distribuídos por 40 estados e analisaram mais de 73 mil registos de museus. “Mostrámos que a abundância relativa das quatro espécies foi reduzida em cerca de 96% e que os seus limites geográficos foram contraídos de 23 a 87%”.

Cameron sublinhou na apresentação do estudo que "esta é uma situação à qual os especialistas têm de estar atentos."

Fonte: www.reuters.com

Foto oficial da Presidenta Dilma

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O Brasil já não abre as pernas como antes .. Toma Império Britânico!!!

Do Caciquismo, ótimo blog de Brasília





Não vivemos em uma republiqueta como outrora.

Aquela que era rota unanime na fuga dos vilões do cinema.

Que servia como porto dos prazeres para marinheiros de forças militares estrangeiras.

Em miúdos. Acabou a farra na casa da mãe Joana.

Hoje o Brasil negou a um navio militar da Grã-Bretanha o pedido de ancoragem no Rio (notícia).

Motivo: tal navio seguia rumo às ilhas Malvinas.

Enganam-se quem enxergou nesta medida apenas um ato de apoio ao país possuidor do segundo melhor jogador de futebol de todos os tempos.

A decisão do governo Dilma fortalece o que o gênio Chico Buarque resumiu durante a campanha eleitoral de 2010: O Brasil não fala fino com os EUA e nem grosso com a Bolívia!

O Brasil foi neutro durante a guerra das Malvinas.

A ilha é motivo de conflito entre dois países mesmo após o fim da guerra.

O Brasil mantém relações diplomáticas com ambos os envolvidos.

Existiria, portanto, motivo razoável para que o Brasil desse abrigo a um navio militar destinado a manter ocupado território que nuestros hermanos reivindicam como seu?

Só para os tupiniquins adoradores do declinante ex-primeiro-mundo.

Novos tempos no posicionamento internacional do Brasil.

Um país verdadeiramente respeitado em todo o mundo. Sua atual política internacional é um sucesso ovacionado pela mídia em todo o planeta. Menos no Brasil do PIG, é claro.

E sabe por que esse assunto passou como um relâmpago pelo noticiário? Simples, a poderosa rainha respeitou, sem reservas, a decisão brasileira.

Chupa PIG!!!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Herança maldita (FHC) e herança bendita (Lula) para Dilma



Em seu discurso de posse, a petista Dilma Rousseff fez elogios ao presidente Lula e prestou uma homenagem ao vice José de AlencarDe FHC para Lula








De Lula para Dilma






O mito da herança bendita

A situação econômica do Brasil no final de 2002 era extremamente frágil. O crescimento do PIB era lento e a inflação tinha atingido dois dígitos e estava acelerando.

Durante a campanha presidencial daquele ano o Brasil foi alvo de um forte ataque especulativo na forma de redução nas linhas de financiamento externo para o país, aumento no prêmio de risco exigido por credores para adquirir títulos brasileiros e forte depreciação do real:

·        O risco país aumentou de 963 pontos básicos (pb) , em dezembro de 2001, para 1.460 pb, em dezembro de 2002.  

·        No mesmo período a taxa de câmbio real/dólar norte americano subiu de 2,32 para 3,53, uma depreciação nominal de 52%.

·        A entrada líquida de capital externo caiu de US$ 27 bilhões, em 2001, para US$ 8 bilhões, em 2002.

·        As reservas internacionais do Brasil eram de apenas US$ 37,8 bilhões, dos quais US$ 20,8 bilhões correspondiam a um empréstimo junto ao FMI.  

·        A dívida líquida do setor público subiu de 52,2% do PIB, no final de 2001, para 60,6% do PIB, no final de 2002. 

·        A inflação ao consumidor acelerou de 7,7% ao ano, em 2001, para 12,5% ao ano em 2002.

·        E, com o fim do racionamento de energia, o crescimento da economia aumentou de 1,3% em 2001 para 2,7% em 2002.

O mito da continuidade da política econômica
O governo Lula manteve a política macroeconômica baseada no sistema de metas de inflação, metas de superávit primário e câmbio flutuante. Houve continuidade neste arcabouço institucional, mas a condução da política macroeconômica mudou bastante no governo Lula, com a adição de novas metas e prioridades. 

·        Em contraste com o governo anterior que estabeleceu uma rápida redução nas metas de inflação, de 9% em 1999 para 3,5% em 2002, o governo Lula adotou uma postura gradualista. As metas de inflação caíram mais lentamente e isso contribuiu para a aceleração no crescimento do PIB e a redução na taxa real de juro da economia.

·        Na política cambial o governo Lula manteve o câmbio flutuante, mas acumulou um grande estoque de reservas internacionais. No governo anterior, o Banco Central sempre operou com um baixo volume de reservas internacionais.
·        Na política fiscal o governo Lula manteve a política de metas de resultado primário, mas reorientou as prioridades do orçamento público para aumentar o combate à pobreza e à desigualdade, recuperar o investimento público em infra-estrutura e em educação. Com isto, houve uma redução substancial na dívida líquida do setor público, de 60,6% do PIB em 2002, para 41,5% do PIB em 2010.

O mito do gasto público excessivo
Segundo analistas a expansão excessiva do gasto público seria incompatível com o crescimento da economia, pois ela exige uma taxa de juro mais elevada e inibe o investimento privado. Além disso, para tais analistas o aumento no gasto primário da União também seria ruim por que o Estado é sempre e em qualquer lugar mais ineficiente do que o setor privado.

Quando nós olhamos para os resultados objetivos, o quadro é bem diferente do retratado pelos críticos da política fiscal do governo Lula:
-         o crescimento do PIB acelerou ao invés de desacelerar
-         o crescimento da produtividade também acelerou e a inflação continuou a cair
-         a taxa real de juro também caiu, de 16% ao ano no início de 2003 para 6% ao ano no final de 2010.
Além disto, é importante verificar para onde foram este aumento de gastos.
·        A despesa primária da União aumentou de 15,7% do PIB em 2002 para 18,6% do PIB em 2010, uma elevação de 2,9 pp do PIB. A maior parte de aumento foi para:
o   transferências de renda às famílias, que aumentaram de 6,8% do PIB em 2002 para 9,0% do PIB em 2010, uma elevação de 2,2 pp do PIB.
o    investimento da União, que  aumentou de 0,8% do PIB em 2002 para 1,2% do PIB em 2010, uma elevação de 0,4 pp do PIB.
o   demais despesas primárias subiram de 8,1% do PIB em 2002 para 8,3% do PIB em 2010, a maior parte para a educação.
·        A despesa da União com a folha de pagamentos ficou relativamente estável e passou de 4,8% do PIB em 2002 para 4,7% em 2010.  Isto ocorreu apesar do aumento na contratação de 150 mil funcionários públicos e da recuperação nos salários do funcionalismo.

Portanto, a prioridade da política fiscal do governo Lula foi combater a pobreza e a desigualdade através do aumento nas transferências de renda. Esse aumento deu o impulso inicial para o atual ciclo de desenvolvimento baseado na expansão do mercado interno.  Ao final do governo Lula, com a recuperação do nível de funcionários, o governo federal gastou um valor praticamente igual ao verificado em 2002, em termos do tamanho da economia. 

O mito da carga tributária excessiva
Segundo analistas, o aumento na carga tributária causa ineficiências, prejudica o crescimento da economia e aumenta a informalidade.
Os números dos últimos anos apontam para a aceleração do crescimento do PIB e da produtividade, da formalização das empresas e dos empregos e dos lucros e  salários.
O aumento não foi explosivo. Ao contrário, foi menor do que no governo anterior.
·        Em 2009 a carga tributária do Brasil foi equivalente a 33,6% do PIB devido à crise econômica. Em 2010 a carga tributária total do Brasil deve atingir 35% do PIB.
·        Dos 35% do PIB, o governo federal arrecada diretamente 24% do PIB. O restante vem de estados e municípios.
·        De 1998 a 2002, arrecadação do governo federal passou de 19,9% do PIB para 22,2% do PIB em 2002, aumento de 3,3 pp do PIB em 4 anos.
·        No governo Lula, a arrecadação passou de 22,2% do PIB em 2002 para 24,0% do PIB em 2010, aumento de 1,8 pp do PIB ao longo de oito anos.
·        Este aumento foi preponderantemente resultado do bom desempenho da economia e da maior formalização das empresas e do mercado de trabalho.
·        O ganho de arrecadação foi devolvido à sociedade na forma de transferências de renda. Excluindo-se do cálculo as transferências constitucionais da União aos Estados e Municípios e as transferências de renda às famílias, a receita efetivamente disponível para União passou de 11,0% do PIB em 2002 para 10,9% do PIB em 2010.
O mito da taxa de investimento
Apesar do aumento no investimento por parte da União aumentou em 50% em termos do PIB, de 0,8% em 2002 para 1,2% em 2010, alguns analistas argumentam que o investimento da União ainda é baixo, sobretudo quando comparado com outros países ou com o próprio Brasil no passado. 
·        A maior parte do incentivo do governo federal ao investimento ocorre via incentivos tributários e financeiros ao invés de despesas diretas no orçamento geral da União. Neste sentido, o principal critério para julgar a política do governo deve ser a taxa de investimento total da economia.
·        Durante o governo FHC houve retração no investimento: a taxa de investimento foi de 17,4% do PIB no primeiro mandato (1995-98) e 16,9% do PIB no segundo mandato (1999-02).
·        Durante o governo Lula a taxa de investimento foi de 16,9% do PIB no primeiro mandato (2003-06) e de 18,2% do PIB no segundo mandato (2007-10). O governo Lula aumentou substancialmente o investimento após o lançamento do PAC.
·        Considerando apenas 2010, a taxa de investimento deve atingir 19% do PIB, ou seja, nesse quesito o PAC foi um sucesso.
Considerando apenas o investimento público, também é preciso ressaltar alguns pontos que desacreditam as críticas usuais feitas ao governo Lula neste campo.
·        Comparar o investimento público de hoje com o investimento público realizado nos anos 70 é incorreto, pois naquela época grande parte das obras de infra-estrutura era realizada diretamente pela União, enquanto que agora os gastos são realizados pelo setor privado na forma de concessões (hidroelétricas, rodovias, ferrovias, etc).
·        Com relação às estatais, o mais correto é comparar os investimentos das empresas que permaneceram estatais desde 1970 (devido às privatizações) e, neste caso, os resultados do governo Lula são altamente positivos devido ao crescimento dos investimentos da Petrobras.
·        Em números, o investimento da Petrobras passou de 0,9% do PIB em 2002 para 2,1% do PIB em 2010, uma expansão de 1,2 pp do PIB ao longo do governo Lula. Considerando apenas 2010, a Petrobras será responsável diretamente por 11% de todo o investimento realizado no Brasil.

O mito do abandono das reformas institucionais
No início de seu mandato, o Presidente Lula enviou ao Congresso Nacional uma proposta de reforma na previdência do servidor público e uma proposta de mini-reforma tributária, com modificação na sistemática de arrecadação do PIS/COFINS e prorrogação da DRU e da CPMF.
As duas iniciativas foram aprovadas e contribuíram para a sustentação do crescimento econômico nos anos subseqüentes. Nos anos seguintes, o governo Lula empreendeu uma série de reformas nas leis e na regulação dos mercados, mas que não receberam destaque na mídia devido ao seu baixo impacto no curto prazo. Assim, criou-se um mito de que o governo Lula abandonou a agenda de reformas, sobretudo nos últimos quatro anos (ver relação em anexo)
Nos pontos onde não houve avanço, com destaque para a reforma tributária e para a reforma da previdência social, o problema foi mais a falta de consenso da sociedade sobre temas do que a ausência de propostas por parte do governo federal.

ANEXO

ECONOMIA: Medidas para melhorar ambiente de negócios:

·        Reforma da previdência do servidor público, aprovada em 2003, com instituição da idade mínima e contribuição de 20% por parte dos inativos. Esta reforma estabilizou o déficit da previdência do servidor público em % do PIB.
·        Nova lei de falências, aprovada em 2004, que agilizou a solução de problemas para empresas em dificuldades e reduziu o custo de inadimplência.
·        Patrimônio de afetação, aprovado em 2005, que diminui o custo de empreendimentos imobiliários e estimulou o investimento na construção de residências.
·        Desoneração dos impostos federais sobre computadores, aprovada em 2005, que aumentou a formalização do mercado, barateou os produtos e ampliou o acesso da população à tecnologia de informação e comunicação.
·        Nova Lei da MPMEs, com criação do Supersimples, aprovado em 2007, que possibilitou a formalização de pequenos negócios e aumentou a arrecadação do governo.
·        Ampla renegociação das dívidas agrícolas, aprovada em 2007, que possibilitou a quitação de débitos anteriores com descontos, sobretudo para pequenos produtores, e retirou milhares de produtores rurais da inadimplência.
·        Devolução mais rápida dos créditos tributários acumulados por investimentos, aprovada em 2007, que diminui o custo financeiro das empresas e estimulou a ampliação da capacidade produtiva.
·        Regime tributário especial para infra-estrutura (REIDI), aprovado em 2007, que desonerou as obras prioritárias do PAC.
·        Fim da cobertura cambial, aprovada em 2007, que desobrigou os exportadores de internalizarem suas receitas cambiais e, desta forma, reduziu os custos financeiros da exportação.
·        Regulação das tarifas bancárias, em 2007, e das tarifas de cartões de crédito, em 2009, que aumentaram a transparências do mercado e deram mais poderes aos consumidores.
·        Regulação dos sistemas de pagamentos em financiamentos imobiliários, aprovada em 2009, que eliminou incerteza jurídica em novos contratos habitacionais e estimulou o desenvolvimento do crédito imobiliário.
·        Regime especial de tributação para a construção de habitações populares, aprovada em 2009, que reduziu a tributação indireta sobre firmas de construção e barateou habitações para famílias de menor renda.
·        Nova lei do gás, aprovada em 2009, que regulamentou o acesso a rede de transporte e distribuição de gás, de modo a atrair novos investimentos e evitar práticas que limitem a concorrência.
·        Margem de preferência em compras governamentais, aprovada em 2010, que possibilita a utilização das compras públicas como instrumento de desenvolvimento econômico e tecnológico, com transparência e prestação de contas.
·        Devolução mais rápida dos créditos tributários acumulados por exportações, iniciada em 2010, que diminuirá o custo financeiro das empresas exportadoras.
·                    Desenvolvimento do mercado de capitais, com criação de novos instrumentos e incentivos tributários para títulos de longo prazo e para o financiamento de infra-estrutura, iniciada ao longo de 2010, que possibilitará maior participação do mercado no financiamento do investimento.