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terça-feira, 5 de julho de 2011

O bom moço Luciano Huck é multado pela Justiça Federal por mandar construir praia privativa para gente diferenciada



Do Blog da Rosana Hermann


Na capa do portal R7 há uma chamada no canal de Entretenimento que leva a um post do blog da Fabíola Reipert. A manchete, como você pode ver, diz: "Justiça multa Huck em R$40 mil por 'roubar' praia'.
 
Clicando no link você vai saber o que aconteceu.

Segundo Fabíola:  "A Justiça Federal de Angra dos Reis (RJ) condenou o marido de Angélica a pagar R$ 40 mil de multa por ter improvisado uma praia particular em sua casa na Ilha das Palmeiras sem pedir licença ambiental.Ele fez um cercadinho (não é puxadinho, hein!) no mar , colocando boias para afugentar pessoas diferenciadas e paparazzi. Se ele não tirar as cordinhas e as boias, terá de pagar, além da multa, mais R$ 1.000 por dia de desobediência."

(Update - o jornal O Dia publicou uma matéria completa, link aqui. )

Procurei pela mesma notícia em outros sites para tentar 'ver' a tal praia, as boias e o cercadinho. Sempre acho que na Internet tudo é uma questão de saber procurar. E, de fato, em muitos casos, é isso mesmo.Fui ver a notícia no EGO. 


hucknoego 633x640 As boias da praia particular de Luciano Huck

O EGO, que costumo criticar, dessa vez acertou. Apesar da foto incompreensível (uma foto em dois tempos, menor e maior, pra quê, D'us meu? Obrigada, Ailin Aleixo, por me avisar: a foto é ensaio da @Revista_Alfa) o texto é bem completo e esclarecedor. A nota traz o nome da juíza, o nome da ilha onde fica a casa e a explicação de Huck de que as boias serviriam para 'maricultura', ou seja, criação de ostras, mariscos e outros quetais. Não colou. A Juiza condenou o apresentador e pronto.

E aí eu pensei: Ilha das Palmeiras? Será que dá pra ver no Google Earth. Fui ao Google Earth e achei a bela Ilha das Palmeiras em Angra dos Reis.


acheiailha As boias da praia particular de Luciano Huck


Mas...onde fica a casa? Procurei um pouco mais e achei uma foto neste fórum, com uma imagem da casa do Luciano Huck. Ficou mais fácil de encontrar. Na foto você vê uma rede, mas não parece ser a tal 'boia'. Vamos em frente.
casadehuckfoto As boias da praia particular de Luciano Huck


Voltei para o Google Earth e achei algo que realmente parecia ser a casa de Luciano Huck e uma linha de 'boias' delimitando uma praia. Dando um zoom na parte sul da ilha, você vai encontrá-la também. 


boiasemzoom As boias da praia particular de Luciano Huck


E, finalmente, para corroborar a teste de que eu estava mesmo vendo a linha de boias na praia, encontrei um vídeo, que não deixa a menor dúvida.

E um frame do vídeo com as boias.


filadeboias1 As boias da praia particular de Luciano Huck


Obrigada a todos pelo crowdsourcing. Sem compartilhar, não há como postar.

Consta que Luciano Huck vai recorrer da decisão.

O brasileiro gosta de uma teoria da conspiração

Blog do Sakamoto (texto inteligente, mas um pouco ingênuo)


Brasília – O que seria do mundo sem teorias da conspiração? Não apenas a vida seria menos divertida e romântica, como teríamos também que assumir muitas de nossas responsabilidades sem jogar a culpa no desconhecido, no oculto, no estrangeiro.

“Censura! Isso é um absurdo!” Tenho amigos jornalistas que cismam rotineiramente serem vítimas da “Mão Peluda” (entidade que realmente faz vítimas em algumas redações), tendo seus textos alterados. Dizem na mesa de bar que há um complô contra eles, do dono do veículo de comunicação à Santa Sé. O problema é que não aceitam, nem que a vaca tussa, que suas apurações podem ser muito ruins.

Outra teoria famosa é aquela em que os estrangeiros querem destacar a Amazônia do restante do país, ocupando-a com forças militares. Quem curte essa cita, como argumento irrefutável, livros didáticos obscuros com mapas esquisitos (escritos provavelmente na Springfield dos Simpsons) ou documentos com planos mirabolantes de tomar a maior floresta tropical do mundo. Faz muito sucesso entre militares da reserva e desocupados em geral. Mas não respondem uma pergunta básica: para que ter o trabalhão de tomar conta daquela bagunça fundiária, se as riquezas já fluem para fora da Amazônia através de empresas brasileiras e estrangeiras? Empresas que, aliás, adoram financiar políticos nacionalistas que são chegados numa teoria da conspiração.

Variante dessa é a de que devolver terras aos indígenas em regiões de fronteira, demarcando e homologando territórios, pode fomentar a independência desses povos do restante do Brasil. A solução seria manter arrozeiros e outros produtores rurais, muitas vezes ocupantes ilegais das áreas e que adotam uma política de terra arrasada no trato ambiental. Porque estes sim são confiáveis e estão lá para desenvolver o país. Qual a razão de alguém dar ouvidos a uma teoria da conspiração ruralista eu não sei, mas tem sempre um chinelo velho para um pé cansado, né? Novamente, vale a pena checar de onde vieram as doações de campanha de quem diz isso para ver seus interesses. E, até onde eu saiba, os territórios indígenas nunca realizaram um plebiscito ou montaram uma campanha de guerra nesse sentido. Pelo contrário, querem é mais atenção do governo federal.

Poderíamos passar o dia listando outras teorias deliciosas sobre o “inimigo externo” criadas para encobrir interesses internos. O fato é que essa ameaça forjada com propósitos, sem rosto, sem nome, mas tornada gigante pela fala de oradores e especialistas sem preocupação com a realidade, mexe com o imaginário popular. São eles, os outros, contra nós. E, por identidade reativa, passo a detestar o outro sem conhecê-lo.

A mais recente teoria conspiratória é a de que as organizações e pessoas contrárias às mudanças que diminuem direitos ambientais no Código Florestal ou à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte são compradas por governos e entidades estrangeiros ou inocentes úteis a serviço daquele inimigo externo. Há até um documento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) circulando por aí que lista organizações nacionais e estrangeiras envolvidas no debate de Belo Monte, mostrando relações de parceria e financiamento.

(Antes que eu me esqueça: o documento é tão, mas tão profundo, que a Abin deve ter usado uma ferramenta que poucos têm acesso para encontrar as informações e produzi-lo. Tipo o Google.)

Tudo isso vai por uma linha de raciocínio que reduz quem não concorda com ela a pessoas sacanas ou ignorantes. Ou seja, quem defende um desenvolvimento sustentável e o direito das populações tradicionais frente ao crescimento econômico sem limites age de má fé (representando interesses estrangeiros para ganho próprio) ou é ingênuo (e não percebe que está sendo usado pelo inimigo). Nada sobre uma terceira opção: pessoas que discordem da forma como é alcançado o progresso e que acreditam que o sucesso econômico sem garantir dignidade e qualidade de vida à esta e às futuras gerações não nos serve e está fadado ao fracasso. Além do mais, um dos pilares da democracia é exatamente o direito à divergência e à sua livre expressão.

O Brasil vai alcançar seu ideal de nação não quando for o celeiro do planeta ou quando tiver um assento entre os grandes, mas no momento em que seus filhos e filhas tiverem a certeza de que não serão expulsos de suas comunidades tradicionais para dar lugar a plantações de arroz e hidrelétricas. Que não serão escravizados em fazendas de gado e cana gerando lucros no altar da competitividade. Que não precisarão cruzar os dedos para que o clima não enlouqueça e um rio invada sua casa ou seu carro.

É claro que existem ONGs canalhas, mas da mesma forma que empresas e governos desqualificados. Contudo, ainda não vi documentos da Abin falando sobre a degradação ambiental, social, trabalhista causada por multinacionais estrangeiras que têm interesse no “progresso”. Volto a falar: a Amazônia já está internacionalizada. E não é de agora. Desde o último período militar, a pilhagem do capital internacional corre solta pela Amazônia, Cerrado e Pantanal, passando por cima de populações tradicionais, camponeses e trabalhadores rurais como rolo compressor.

Sabe o que é mais legal de tudo isso? Durante a Gloriosa, muitas das pessoas que se dizem de esquerda e lutavam contra os verde-oliva pediram e receberam apoio de organizações internacionais de direitos humanos. Sem elas, alguns deles nem estariam aqui para fazer besteira. Agora que os tempos são outros e essas pessoas alçaram ao poder, a necessária solidariedade internacional (uma vez que a defesa da dignidade humana não pode conhecer fronteiras) é vista como ameaça contra a soberania brasileira.

Em outras palavras, quando meu próprio Estado se omite diante do comportamento irresponsável de setores da iniciativa privada ou é ele mesmo perpetrador de crimes, eu não posso pedir ajuda a ninguém?

ABIN identifica as ONGs estrangeiras que boicotam Belo Monte

Do Conversa Afiada (leia abaixo das imagens texto do glorioso Paulo Henrique Amorim)



(clique na imagem para ampliar)

(clique na imagem para ampliar)
(clique na imagem para ampliar)
(clique na imagem para a
O relatório de inteligência no. 251/82260, de 9 de maio de 2011, da Agência Brasileira de Inteligência, a ABIN, identifica, uma por uma, as organizações estrangeiras que boicotam a construção da Usina de Belo Monte.

Como se sabe, Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo, que não vai alagar uma única moradia, um puxadinho, uma lavoura de indígena brasileiro.

E significará um passo decisivo na estratégia para o Brasil assegurar uma matriz energética limpa, renovável – e genuinamente nacional.

Essas organizações identificadas pela ABIN mantêm uma relação de afinidade ideológica estrutural com os grupos “verdistas” que se opõem, por exemplo, ao Código Florestal.

O Código, da mesma forma, cria o marco regulatório que preserva a integridade patrimonial do pequeno agricultor e assegura a expansão do grande empreendedor agrícola genuinamente brasileiro.

Atacar Belo Monte e acusar o Código de “perdoar o desmatador”e Belo Monte de “monstro” que vai “destruir a floresta” são a cara e a coroa dos mesmos interesses não-brasileiros.

O “verde” é a nova ideologia Metropolitana.

Não é à toa que a Bláblárina, desde sempre, foi a candidata que seguia a linha auxiliar do Cerra.

Porque o “verdismo” é uma nova forma de neoliberalismo.

Por falar nisso, interessante que o PT tenha tanta dificuldade de defender o “interesse nacional”.

O PT parece precisar, sempre, do aval dos Estados Unidos.

Da Metrópole.

Para não parecer bicho papão.

Enquanto estava na Casa Civil (como se sabe, ele foi embora pra não identificar os fregueses), Tony Palocci pressionou para que o Código  Florestal respeitasse a pressão dos estrangeiros.

O PT parece intimidado diante das ONGs americanas que boicotam Belo Monte e o Código.

(Os trabalhistas ingleses também são assim. Não querem dar a impressão de que defendem o interesse nacional inglês, contra os Estados Unidos. Foi numa dessas que o Tony Blair se enfiou no Iraque com o George Bush.)

O relatório da ABIN tem esse valor.

Dá nome aos bois.

Dos estrangeiros.

Dos brasileiros a gente, aos poucos, identifica por aqui.


Paulo Henrique Amorim

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Tem muita gordura pra queimar





A Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, apresentou ontem (29) o seu Estudo de Competitividade no Setor Automobilístico, para mostrar ao governo o que considera uma “injusta concorrência” da indústria instalada no Brasil em relação aos importadores. 

Cledorvino Belini, presidente da entidade, responsabiliza os custos dos insumos pelo alto preço do carro feito no Brasil. Disse que o aço custa 50% mais caro no Brasil em relação a outros países e que a energia no País é uma das mais caras do mundo. 

Os fabricantes consideram que o custo dos insumos encarece e prejudica a competitividade da indústria nacional. “O aço comprado no Brasil é 40% mais caro do que o importado da China, que usa minério de ferro brasileiro para a produção”, disse Belini. Ele apontou também os custos com a logística como um problema da indústria nacional e criticou a oneração do capital: “É preciso que o governo desonere o capital nos três setores: cadeia produtiva, na infraestrutura e na exportação de tributos”. 

Mas para os importadores, o que os fabricantes querem é se defender de uma queda na participação das vendas internas, o que vem acontecendo desde a abertura do mercado, há duas décadas. 

“As montadoras tradicionais tentam evitar a perda de participação tanto para as novas montadoras quanto para as importadoras”, disse José Carlos Gandini, presidente da Kia e da Abeiva, a associação dos importadores de veículos. “Mas o dólar é o mesmo pra todo mundo. As montadoras também compram componentes lá fora.” 

Gandini disse que os carros importados já são penalizados; que as fábricas instaladas aqui estão protegidas por uma alíquota de 35% aplicada no preço do carro estrangeiro, por isso não se trata de uma concorrência desleal: “ao contrário, as grandes montadoras não querem é abrir mão da margem de lucro”. 

Na verdade, o setor tem (muita) gordura pra queimar, tanto às fábricas instaladas aqui quanto os importadores. O preço de alguns carros baixou até 20% ou 30% depois da crise econômica, por causa da grande concorrência. 

O Azera, da Hyundai, chegou a ser vendido por R$ 110 mil. Hoje custa R$ 70 mil. Claro que a importadora não está tendo prejuízo vendendo o carro por R$ 70 mil. Então, tinha um lucro adicional de R$ 40 mil, certo? Se você considerar que o carro paga mais 35% de alíquota de importação, além de todos os impostos pagos pelos carros feitos no Brasil, dá pra imaginar o lucro das montadoras. 

Um exemplo recente revela que o preço pode ser remanejado de acordo com as condições do mercado: uma importadora fez um pedido à matriz de um novo lançamento, mas foi apenas parcialmente atendida, recebeu a metade do volume solicitado. Então, “reposicionou” o carro para um patamar de preço superior, passando de R$ 75 mil para R$ 85 mil. 

A GM chegou a vender um lote do Classic com desconto de 35% para uma locadora paulista, segundo um ex-executivo da locadora em questão.



Entre os carros fabricados aqui, Fiesta, C3, Línea receberam mais equipamentos e baixaram os preços, depois da chegada dos chineses, que vieram completos e mais baratos que os concorrentes. 

Um consultor explicou como é feita a formação do preço: ao lançar o carro, o fabricante verifica a concorrência. Caso não tenha referência no mercado, posiciona o preço num patamar superior. Se colar, colou. Caso contrário passa a dar bônus para a concessionária até reposicionar o produto num preço que o consumidor está disposto a pagar. 

A propósito, a estratégia vale para qualquer produto, de qualquer setor. 


Mini no tamanho, big no preço 

Míni Cooper, Cinquecento e Smart, são conceitos diferentes de um carro comum: embora menores do que os carros da categoria dos pequenos, eles proporcionam mais conforto, sem contar o cuidado e o requinte com que são construídos. São carros chiques, equipados, destinados a um público que quer se exibir, que quer estar na moda, que paga R$ 50 ou R$ 60 mil por um carro menor do que o Celta, que custa R$ 30 mil. 
O Smart (R$ 50 mil) tem quatro airbags, ar-condicionado digital, freios ABS com EBD, controle de tração e controle de estabilidade. O Cinquencento (R$ 60 mil) vem com sete airbags, banco de couro, ar-condicionado digital, teto solar, controle de tração. E quem comprar o minúsculo Míni Cooper vai pagar a pequena fortuna de R$ 105 mil. 

Mesmo com todos esses equipamentos, os preços desses carros são muito altos, incomparáveis com os preços dos mesmos carros em seus países de origem. (A Fiat vai lançar no mês que vem o Cinquecento feito nom México, o que deve baratear o preço final.) 

Os chineses estão mudando esse quadro. O QQ, da Chery, vem a preço de popular mesmo recheado de equipamentos, alguns deles inexistentes mesmo em carros de categoria superior, como airbag duplo e ABS, além de CD Player, sensor de estacionamento. O carro custa R$ 22.990,00, isso porque o importador sofreu pressão das concessionárias para não baixar o preço ainda mais. 

“A idéia original – disse o presidente da Chery no Brasil, Luiz Curi – era vender o QQ por R$ 19,9 mil”. Segundo Curi, o preço do QQ poderá chegar a menos de R$ 20 mil na versão 1.0 flex, que chega no ano que vem. Hoje o carro tem motor 1.1 litro e por isso recolhe o dobro do IPI do 1000cc, ou 13%, isso além dos 35% de Imposto de Importação. 

Por isso não dá para acreditar que as montadoras têm “um lucro de R$ 500,00 no carro de 1000cc”, como costumam alardear alguns fabricantes.

Tem é muita gordura pra queimar 

As fábricas reduzem os custos com o aumento da produção, espremem os fornecedores, que reclamam das margens limitadas, o governo reduz impostos, como fez durante a crise, as vendas explodem e o Brasil se torna o quarto maior mercado consumidor e o sexto maior produtor. E o Lucro Brasil permanece inalterado, obrigando o consumidor a comprar o carro mais caro do mundo.

Leia abaixo a 1º e 2º parte da reportagem

Colaboraram Ademir Gonçalves e Luiz Cipolli

Aula Espetáculo de Ariano Suassuna

Olavo de Carvalho fala sobre o Mackenzie e Luiz Mott



terça-feira, 28 de junho de 2011

Sobre o preço dos carros brasileiros - Do Luis Nassif



Por Ricardo Montero

Fazendo as contas na prática: por que os carros custam tão caro no Brasil?

A Nassif, a maioria das pessoas acredita piamente na lenga-lenga de que “os carros no Brasil são caros por culpa dos impostos”. Meia-verdade, ou mesmo falsa verdade, em muito conveniente aos fabricantes, que por conta disso aqui praticam preços dos mais abusivos.

Um exemplo claro que demonstra a ganância de nossos fabricantes e importadores é a station wagon Renault Mégane Grand Tour. Meses atrás, ela custava R$59 mil. Com a saída de linha do sedan Mégane (substituído em nosso mercado pelo sedan Fluence), a Renault “realinhou” o preço da Grand Tour, com a intenção de mantê-la em linha enquanto houver demanda. De uma tacada só, o preço foi cortado em R$10 mil, passando a R$49 mil, em versão única sem opcionais. Como o carro manteve exatamente os mesmos equipamentos de série (ar condicionado, direção assistida, vidros elétricos, travas elétricas, retrovisores elétricos, rodas de liga leve, equipamento de som, freios ABS e airbag duplo), resta concluir que o veículo tinha o preço inflado em ao menos 20%.

Segundo a revista Quatro Rodas, o imposto em um carro vendido no Brasil varia entre 27,1% e 36,4% do preço final do carro – o primeiro valor, referente a veículos 1.0; o último, veículos acima de 2.0 movidos à gasolina. Nos EUA,  se cobra 6,1%, valor este entre os mais baixos do mundo.

Para exemplificar a ganância das fábricas e importadoras brasileiras, comparemos carros iguais – no caso, modelos Toyota Corolla, que estão na mesma geração de design tanto aqui quanto nos EUA. Tratam-se de carros virtualmente idênticos, tanto aqui quanto lá. No preço final de um Corolla brasileiro, temos 29,2% de impostos (veículo entre 1.0 e 2.0, álcool ou “flex”). Considerando as tabelas de preços e um dólar camarada a R$1,65, temos:

Corolla (básico, câmbio manual - topo de linha, completo): 

preço BR: R$63.000 - R$87.000
preço BR sem imposto: R$44.604 - R$61.596
preço BR sem imposto: U$27.032 - U$37.330
preço EUA: U$15.900 - 19.800
preço EUA sem imposto: U$14.930 - U$18.592

Ou seja: descontados os impostos, um Corolla básico custa no Brasil 81% a mais que nos EUA. O topo de linha custa no Brasil 100% mais que o similar vendido nos EUA!

Nada contra a Toyota em particular, uma vez que TODOS os fabricantes e importadores no Brasil parecem trabalhar com margens gordas, muito além do razoável. Usei o Corolla como exemplo apenas pela facilidade de comparação, dada a evidente semelhança do produto ofertado aqui e na América do Norte.

Em suma, essa papagaiada que todo mundo repete de custo Brasil, impostos, etc, é injustificável quando se vê o mesmo carro saindo do portão do fabricante ou importador pelo dobro do preço praticado nos EUA. Trata-se de mera lenga-lenga para iludir incautos consumidores, que pagam pequenas fortunas por um carro e depois saem falando mal do governo, da carga tributária, etc – tudo isso enquanto fabricantes e importadores enchem as burras em um mercado que consumidores irracionalmente pagam qualquer preço para ter um “zero quilômetro” na garagem. Mas enfim, enquanto o consumidor se sujeitar a trocar de carro por moda e status, enquanto aceitar pagar preços extorsivos, nada mudará...