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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Um decreto no caminho – Rubens Nóbrega

Cassio Cunha Lima na casa de Roberto Santiago. Foto: PG

Antes de defender essa transação entre o governador Ricardo Coutinho e os donos do Manaíra Shopping e do Atacadão, o ex-governador Cássio Cunha Lima precisa explicar como foi que o terreno do Geisel, que ele desapropriou com finalidade específica, foi parar nas mãos de um particular.

Sim, porque o tal terreno do Geisel, que o atual governo quer receber em troca do terreno da Acadepol, em Mangabeira, foi desapropriado em 2005 pelo então governador Cássio por R$ 2,96 milhões. O dinheiro para pagar a indenização saiu do Fain – Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Industrial da Paraíba.

O decreto de desapropriação, publicado no Diário Oficial do Estado, era muito claro: o imóvel desapropriado destinar-se-ia exclusivamente à construção, pela Cinep – Companhia de Industrialização do Estado da Paraíba, de um parque de exposição permanente da indústria paraibana.
 
Se o bem público aparece agora como pertencente a uma empresa chamada Futura (criada e registrada este ano, não por acaso, lógico) é porque o terreno do Geisel foi vendido ou doado pelo Estado a um particular de uma forma totalmente irregular, ilegal, imoral, inteiramente lesiva aos interesses e cofres públicos.


Aí é preciso ver quem vendeu ou deu o tal terreno, para que se apurem as responsabilidades e se penalize com todo o rigor da lei quem for encontrado em culpa. Porque só tem um jeito – pelo menos do ponto de vista formal – de livrar a cara de quem fez isso: apresentar ao distinto público o decreto ou lei que revogou aquele de 2005 que fixava destinação expressa e inequívoca para um patrimônio público que misteriosamente (ou nem tanto) voltou a ser privado.

Nesse caso, é urgente mesmo saber quem fez o segundo decreto ou a lei, se é que eleela existe. Duvido muito que exista, mas... Ah, e não vale publicar Diário Oficial com data retroativa ao período da pretensa revogação. Essa manobra, de tão manjada e tão praticada em governos pretéritos, será facilmente desmascarada.

O importante, nesse momento, antes de se prosseguir na avaliação do troca-troca, seja no Parlamento ou na Justiça, é garantir ao contribuinte ciência de quem foi ou em que governo – se no de Cássio, de José Maranhão ou de Ricardo – foi revogado o decreto de 2005. Se foi, indiscutivelmente o foi para favorecer o interesse privado em desfavor do público.

Isso é coisa para o Ministério Público da Paraíba investigar, descobrir e mover a devida ação judicial contra o responsável ou contra os responsáveis. Imagino que uma ação por improbidade administrativa cairia bem, sujeitando o sujeito que aprontou essa a uma inelegibilidade de oito anos, além de ressarcimento aos cofres públicos. Pena que não dê cadeia. Tenho dúvidas. Vou consultar, assuntar e depois digo alguma coisa.

Aproveito o espaço para concitar publicamente o MPPB a fazer de ofício o que aqui vai sugerido. Que a Procuradoria Geral de Justiça tenha a presente iniciativa na conta de contribuição movida a espírito público, pura e simplesmente. Faço-o ainda na expectativa de não ser necessário o colunista ou outro cidadão ter que se aluir dos seus afazeres habituais para provocar no bom sentido, por escrito, os defensores das boas causas coletivas.

Abra concorrência, Excelência

Em nome do interesse público, da legalidade, da moralidade e dos princípios da igualdade de oportunidades e da livre concorrência, qualificado leitor desta coluna propôs ontem que o governador Ricardo Coutinho mande fazer e publicar edital de licitação, na modalidade de concorrência, para resolver de forma republicana, verdadeiramente republicana, o imbróglio do troca-troca.

Agindo assim, o governo terá oportunidade de descobrir se há outros interessados, além dos donos do Manaíra Shopping e do Atacadão, na troca do terreno da Acadepol por um outro onde seriam construídas uma academia de polícia, um instituto de polícia científica e uma nova central de polícia, obras somadas a outras vantagens para o Estado que poderiam ser agregadas à proposta de cada concorrente.

Desse modo, quem oferecesse a proposta mais vantajosa poderia construir no terreno da Acadepol um shopping center, instalar uma indústria ou qualquer outro empreendimento de larga geração de empregos diretos. Na proposta deve entrar também o cálculo da geração de tributos que seriam recolhidos aos cofres estaduais, como mais um e relevante parâmetro para definir o vencedor dessa parada.

Troca-troca com o leitor

Troca-troca sim, mas de i-meios, de idéias e propostas pelo bem da Paraíba. É isso o que vou socializar com os leitores, expondo adiante o conteúdo das mensagens que recebi ontem do especialíssimo colaborador a que me referi.

***

Perfeita sua idéia, Rubens: fazer um leilão do terreno (de Mangabeira), partindo das condições oferecidas a Roberto Santiago como condições mínimas. E nem precisa de permuta de terreno, porque os dois pertencem ao Estado mesmo, nem que os ganhadores construam a Acadepol.

Abrir-se-ia uma concorrência pelo terreno de Mangabeira com o preço mínimo estabelecido pela Caixa Econômica e com o dinheiro, pode ter certeza, o governo construiria não apenas uma nova Acadepol como sobraria dinheiro para outras coisas mais, como um novo Trauma no bairro para ele encher todinho com médicos do Rio de Janeiro.

Se a oposição for esperta, adota sua idéia como bandeira e deixa Ricardo num mato sem cachorro. A questão é saber se ela tem coragem - ou disposição, ou interesse, a não ser, o de bater em Ricardo, livrando Roberto Santiago.

Então, que tal começar essa campanha, instando deputados a concordarem com a idéia da concorrência, considerando que com tal procedimento tudo seria mais transparente, republicano e menos lesivo aos cofres públicos, além de também atender aos interesses do “povo de Mangabeira”?

Que tal entrar em contato com o pessoal do Iguatemi ou outro grupo daqueles mencionados ou sugerir a formação de consórcios de empresários paraibanos para entrar nesse negócio da China? Vamos perturbar esse povo para que os negócios não se sobreponham à política, como eles querem. Se um deputado for convencido, ele pode começar a colher assinaturas em apoio ao projeto. O governo perde o discurso de que a ação é para o bem de todos e fica só na defesa dos interesses de RS.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A (falta de) transparencia do Sistema Correio

Pensei em escrever sobre o mesmo assunto hoje, mas, para minha "boa" surpresa, o excelente Blog Olhos do Norte já deu o tratamento correto à questão.
  



19 Outubro, 2009


Pelo jeito a carapuça serviu. Hoje Helder Moura escreve em sua coluna que Obama está com síndrome de Deus e que perdeu o equilíbrio, após resolver enfrentar o partido político que se transformou a FOX, ultrapassando uma atitude de fiscalização para uma de perseguição. A carapuça serviu porque o Correio faz algo similar aqui na Paraíba. Inclusive o Jornal desta segunda é prova cabal. Dedicou uma página inteira a José Maranhão, cheio de belas fotos, e não citou nenhuma vez a primeira pesquisa sobre a sucessão governamental de 2010, pois seu candidato não foi bem. Alias a pesquisa se quer foi citada na coluna do comentarista, que sempre aborda todos os assuntos políticos de relevância, nem no portal do sistema como mostramos aqui e nem no jornal escrito ou na programação da TV.

Devemos perceber que o problema não está nas empresas de mídia apoiar ou não esse ou aquele candidato, mas em esconder ou fingir suas escolhas e intenções políticos para manipular o noticiário (e ainda dizer que não faz isso) e por fim, o cidadão – leitor, pois é isso que por decorrência ocorre na cobertura política. Ou seja, falta transparência na prática jornalística e empresarial dessas empresas de mídia. O leitor fica a mercê das intenções das mídias e seus comentaristas. Sua denúncia só aparecerá na TV ou rádio se for do interesse do dono. O que é muito triste.

Será que o leitor-ouvinte deve se submeter aos interesses desses grupos de mídia para ver suas denuncias e demandas ganhar publicidade? Isso não é um abuso? Onde está à transparência e a ética. Será que o leitor deve ficar sem ter acesso às informações que são relevantes segundo todos os demais veículos? Olhe que o slogan do Jornal Correio é “jornalismo com ética e paixão”. Parece que paixão sim, mas ética (no sentido elevado da palavra), não. Como se vê Helder Moura está mais defendendo o seu lado do que tentando comentar fatos com maior consciência critica.

Aí o leitor-cidadão fica no meio de jogo político entre empresários de mídia, políticos, partidos e não sabe como se situar. Se o leitor não for atendo, não tiver acesso a diversas mídias e não sair nas ruas, com certeza viveriam um preso num mundo de fantasias, pois lhe negaram algo. O leitor do sistema correio nem sabe que José Maranhão foi muito mal numa pesquisa de um dos instituo mais conhecidos, muito embora questionado, do País. E aí? Será que isso é liberdade de imprensa?


Nota do Blog: É uma pena que jornalistas profissionais e respeitados como Helder Moura tenham uma visão tão restrita das coisas. Dizer que a revistinha Veja é uma das publicações mais respeitadas do mundo!?!?! Só pode ser mau-caratismo ou ignorância disfuncional. Afirmar que Obama "declarou guerra" contra a Fox beira o alarmismo catastrófico causador de pânico quando na verdade o presidente americano apenas está dando à Fox o mesmo tratamento que tem sido dedicado a ele, ou seja, no mínimo, desrespeitoso.

Não sabe ou não quer dizer que o que está acontecendo com Obama é o mesmo que acontece com Lula e com os políticos da Paraíba inteira, é só dar uma olhada nos nossos "sistemas" de comunicação ou "redes" de comunicação da Paraíba.

A sociedade tem que acordar para essas manipulações midiáticas e começar a se informar pela internet, que é mais democrática, plural e aberta.


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Barra de Camaratuba: escândalo socio-ambiental

 

A população de Barra de Camaratuba, e todos os paraibanos indiretamente, estão sendo agredidos em sua própria terra.

O Blog do Magrello já denunciou isso.

A Pacific Hydro, empresa de capital estrangeiro (australianos da Comunidade das Nações), se apossou de uma extensa área de terra, de 9 Km de extensão por 600 metros de largura, à beira-mar de Barra de Camaratuba, e lá vem praticando agressões ao meio ambiente e interferindo no direito de ir e vir da população local ou de qualquer outro que vá por lá, a título de construir torres e explorar energia dos ventos.

Ivan Burity, Tião Lucena e agora Trocolli Junior denunciaram essa situação. O MPF já foi avisado por representantes de movimentos sociais de lá. Interessante é o silêncio do prefeito local, João Madruga, e dos vereadores.

A Secretaria do Patrimônio da União encontrou dificuldades de fiscalizar a área. O IBAMA foi enganado com dados falsos. O que é que falta para se dar um basta a essa situação?

Estamos diante de uma injustiça colossal, em que não há equilíbrio entre as partes envolvidas. Apenas uma parte se dá bem no negócio.

Difícil advinhar quem deixou isso acontecer... talvez os tucanos... olha só essa notícia:

"A velocidade dos ventos do litoral de Mataraca, os incentivos fiscais do governo do Estado e agilidade de licenças dos órgãos ambientais como Sudema foram as principais razões para que a empresa Pacific Hydro escolhesse a Paraíba para implementar o Parque Eólico no Brasil
[...]
O secretário chefe da Casa Civil do governo do Estado, Rômulo Gouveia, que representou o governador Cássio Cunha Lima na cerimônia de inauguração" 



Você leu isso mesmo: agilidade de licenças ambientais e incentivos fiscais!!!

Vamos fazer quiném aquela novela da Globo, na qual uma comunidade formada por hippies, surfistas e pescadores colocaram para correr especuladores de uma praia paradisíaca.

Cobremos soluções para a questão.

MLA